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Audi, dos ralis à F1 2ª parte: Duelos nos Turismos
A Audi Sport está neste momento na Formula 1, mas o seu percurso começou há mais de quarenta anos, no campeonato do mundo de ralis.
Data: 25.06.2026 - Tempo de Leitura: 5 min
Após a saída do WRC, a Audi não estava disposta a abandonar a competição automóvel. Depois do resultado em Pikes Peak, a Audi decide continuar nos EUA, onde precisava de aumentar a sua notoriedade junto do público norte-americano. O próximo desafio foi o campeonato Trans-Am de 1988.
Após a saída do WRC, a Audi não estava disposta a abandonar a competição automóvel. Depois do resultado em Pikes Peak, a Audi decide continuar nos EUA, onde precisava de aumentar a sua notoriedade junto do público norte-americano. O próximo desafio foi o campeonato Trans-Am de 1988.
Tratava-se de um campeonato disputado pelos tradicionais “muscle cars” americanos da altura, modelos de grandes dimensões e motores V8 de elevada potência, com suspensões e transmissões convencionais. O regulamento partia de modelos de estrada muito transformados, como o Mustang e Camaro, entre outros. A Audi usou a estrutura do 200 quattro, mas teve que lhe aumentar as dimensões para ficar dentro dos regulamentos. Usou alguns dos componentes mecânicos da versão de ralis, como a transmissão, e manteve o seu motor de 2,1 litros de cinco cilindros em linha turbocomprimido, um motor de Grupo B, mas muito mais pequeno que os V8 de 5,0 litros atmosféricos dos americano.
Mas a Audi tinha duas vantagens que se vieram a demonstrar determinantes. Em primeiro lugar, um turbocompressor de grandes dimensões que fazia subir a potência para 635 cv, o mesmo nível dos V8 atmosféricos americanos e, em segundo lugar, o sistema quattro. Também aqui, os rivais americanos consideravam que a tração total era desnecessária, pelo menos antes do campeonato começar, por isso não se opuseram a que a Audi usasse o sistema quattro com diferenciais Torsen, embraiagens multidiscos e vectorização de binário. Diziam que se tratava de uma espécie de Jeep.
Domínio nos EUA
A Audi, inicialmente com dois 200 quattro, um para Walter Röhrl e outro para o norte-americano Hurley Haywood, venceu nada menos do que 8 das 13 corridas do campeonato e colocou os seus três pilotos nos três primeiros lugares, por esta ordem: Haywood, Röhrl e Hans Stuck, que também fez algumas corridas.
Face a este domínio, em 1989 a Audi Sport foi empurrada para fora do campeonato Trans-Am pelos organizadores da SCCA, através de uma alteração de regulamentos de última hora: a partir de então, só se poderia usar motores americanos e a tração às quatro rodas estava proibida. Mas a Audi permaneceu nos EUA, mudando para outro campeonato, mais exigente tecnicamente, o IMSA, com corridas mais longas. Mudou também para um novo modelo que precisava de ser promovido nos mercados locais, o 90 quattro IMSA GTO. Os fundamentos técnicos mantiveram-se, com o motor de cinco cilindros em linha e 2,1 litros, turbocomprimido e agora a chegar aos 720 cv. A transmissão quattro foi melhorada, mas isso exigiu alguma afinação extra no início do ano.
Neste campeonato, a liberdade técnica superior incentivou a Audi a fazer um chassis tubular com uma carroçaria em fibra de carbono inspirada na do Audi 90 de estrada. A classe GTO significava GT com motores “Over” (acima) dos 2.5 litros, mas a Audi não parecia preocupada com o “handicap” de cilindrada. Outra novidade, pela primeira vez, a Audi Sport usou telemetria em tempo real.
Devido a problemas de desenvolvimento do motor, que ainda era o do quattro S1 E2 Pikes Peak, a Audi não tinha conseguido alinhar nas duas primeiras corridas e por isso não venceu o campeonato, mas ganhou 7 das 15 corridas com a mesma tripla de pilotos do ano anterior e mostrou a superioridade da sua tecnologia. A Audi Sport fechou a operação nos EUA no final de 1989, depois de ter conseguido melhorar a sua imagem nos EUA e voltou para a Europa. O próximo desafio não foi o regresso aos ralis, como muitos desejavam, mas um novo desafio: a entrada no campeonato de turismos mais famoso do Velho Continente, o alemão DTM.
Super Turismos e DTM
O modelo disponível para o DTM de 1990 era a enorme limousine Audi V8 quattro, que tinha a missão de rivalizar com modelos mais compactos e desportivos como o BMW M3 Sport Evolution e o Mercedes-Benz 190E 2.3 16 Evo. Mas a Audi continuava a ter uma vantagem que os rivais desprezavam, a tração quattro.
O conjunto V8 3.6 de 416 cv e um peso de 1220 kg foram suficientes para a Audi vencer o DTM em 1990 com Hans-Joachim Stuck e em 1991 com a versão V8 quattro Evolution, com a potência a subir aos 460 cv e o peso aos 1250 kg, guiada por Frank Biela.
No final do ano, a Audi Sport descobriu que a cambota do motor podia, por regulamento, ser alterada, dando ganhos significativos ao V8. Inquiriu a organização acerca desta possibilidade, que confirmou por duas vezes. No entanto, por pressão das equipas da BMW e Mercedes-Benz, a organização acabou por inverter a sua opinião. Resultado, a Audi retirou-se a nível oficial do DTM no final de 1991.Com o nascimento de vários campeonatos internacionais, seguindo o regulamento Super Touring, a Audi, primeiro com o 80 e depois com o A4, conseguiu vencer vários campeonatos nacionais e internacionais. Só na época de 1996, ganhou em seis países diferentes com o A4, mas o regulamento técnico baniu os sistemas de quatro rodas motrizes rapidamente.
O DTM acabaria por implodir no final de 1996, para só voltar em 2000 e a Audi estava de volta, se bem que não através da equipa oficial, mas da muito próxima ABT e os seus ABT-Audi TT-R que venceram o campeonato em 2002 com Laurent Aiello. Esta participação semioficial da Audi manteve a chama acesa e em 2004, a Audi Sport voltou oficialmente ao DTM, desta vez com o novo A4, que rivalizava com o Mercedes-Benz Classe C e o Opel Vectra GTS. E a Audi voltou a ser campeã logo nesse ano, com Mattias Ekström, feito que repetiu em 2007. Seguiu-se o seu companheiro de equipa Timo Scheider nos dois anos seguintes, 2008 e 2009 e Martin Tomczyk em 2011.
Em 2012, a Audi mudou do A4 para o A5 e em 2013 para o RS5. No ano seguinte, o chassis em fibra de carbono passou a ser igual para todas as marcas, para reduzir custos. Mas mantiveram-se os motores V8 e as carroçarias inspiradas em modelos de série, diferentes para cada marca. A Audi voltou a ser campeã do DTM em 2013 (Mike Rockenfeller), 2017, 2019 e 2020 (Rene Rast), as duas últimas já com os eficientes motores 2.0 litros turbo, tecnologia que a Audi dominou. Totalizando 12 títulos de pilotos Audi no DTM. Finalmente, em 2021 o DTM passou para a classe GT3, abrindo a porta a modelos como o Audi R8 LMS e muitos outros.
A classe GT3 generalizou-se nas corridas de GT em todo o mundo, com vários campeonatos nacionais e internacionais a aparecer, onde as várias evoluções do R8, também em GT2 e GT4, tiveram enorme sucesso, nas mãos de muitas equipas privadas. Especialmente para os privados, a Audi também disponibilizou o RS3 LMS para a classe TCR, que alcançou vitórias em circuitos como Macau e Spa. Para a Audi, a época dos turismos e dos GT estava a ficar para trás, o próximo objetivo seria muito mais difícil e totalmente inédito para os engenheiros.
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